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Um café e um adeus.

Eu não queria que esse fosse mais um dos meus posts melosos e sentimentais, mas acredito que existam temas que precisam ser dissertados, é libertador. 

Com a vida de ponta à cabeça, e  o coração pedaços, eu estava lá novamente, naquele aeroporto. Dessa vez não tinha amigos, não tinha plaquinhas de boas vindas, não tinha presenças, estava sozinha. Eu, e a minha coragem de colocar um fim naquela vida que me atormentava.

Eu acho que nunca cheguei a falar pra vocês porque somente hoje compreendi o que é amor correspondido (tema para um outro post, só que bem mais meloso), mas o pior da vida, é amar sozinha. Depositar amor, e criar estruturas firmadas em areia, sozinha. Que a solidão dói, isso já sabemos bem. Mas não existe coisa mais dolorida que se sentir sozinho mesmo com alguém ao seu lado. Pior tormento.

Presa no trânsito. Chuva. A Dutra estava intransitável. O que mexia ainda mais meu estomago. Estava cada vez mais perto do que intitulei libertação da alma. Senti medo. Mas quem não? “Você não se ama? Não tem amor próprio?” Eram as perguntas que me engasgavam no trajeto. Que vergonha! Falta de coragem. 

Peguei o celular para tentar disfarçar a ansiedade enquanto o taxista tentava puxar assunto com a “turista” recém chegada de Fortaleza. Entre uma dessas postagens cotidianas de facebook, uma mudou o rumo dos meus pensamentos e decisões. Estava lá, a frase que eu precisava ler…

“Existe uma linha sutil entre adaptação e apego.”

“Senhor taxista por favor, pra cafeteria mais próxima”. E foi lá que eu dialoguei comigo mesma sobre essa frase. Foi como se tivesse sido atropelada por um trem bala de sentimentos. Que horror! Um cappuccino machiatto com o dobro de canela por favor.

Porque estou nervosa? Porque tenho medo? Estou adaptada? Ou apegada? Eu estava adaptada! E não, não era bom. Era hora do ponto final. Era hora do adeus. Uma palavra forte, e necessária por muitas vezes na libertação da alma. As vezes precisamos deixar certas coisas que nos fazem mal, ou que nos prejudicaram, irem embora. Pra sempre!

Foi doloroso, porém libertador. Aprendi a dar adeus as coisas, e pessoas, é desapagar um pouco de nós mesmos. É deixar ir embora alguma coisa que por alguma razão, ja não se encaixa mais em nossa vida. Aprendi que dizer adeus, é aprender a viver com o que restou dentro de nós, e dali, se reinventar, se montar inteiro, e criar alicerces com o que ficou. Te garanto uma maturidade quase quarentona se conseguir se reinventar depois de se quebrar em uma queda de 40m livres. 

Não se sinta fracassado por ter que dar um adeus. E se as pessoas perguntarem o porque não deu certo, convide-as para um café, e explique que assim como bons livros, relacionamentos tem capítulos que se iniciam, e acabam! E se ela insistir, peça com o dobro de canela, e explique que assim como grandes jogadores de futebol que reconhecem seu momento natural de declínio, e sabem dizer adeus dos campos antes de manchar história encantadora e vitoriosa por teimosia, você disse adeus.

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